A busca pela árvore mais antiga do mundo revela uma competição acirrada que não se resume a um único exemplar. A determinação da idade de uma árvore e o que configura uma árvore individual são fatores que complicam essa discussão. Desde 2018, um pinheiro-bristlecone da Califórnia era reconhecido como o mais velho, mas descobertas recentes na Suécia e no Chile desafiaram essa posição.
No topo de uma montanha na Suécia, um abeto conhecido como Old Tjikko se destaca por sua impressionante longevidade. Esta árvore, que sobreviveu ao longo de quase 10 mil anos, começou a se estabelecer no final da última era glacial, cerca de 7542 a.C. A descoberta ocorreu em 2004, quando pesquisadores investigavam a vegetação da montanha Fulufjället, localizada na província de Dalarna. Em 2008, análises de datação por carbono confirmaram a idade estimada desse exemplar.
Leif Kullmann, professor de geografia física da Universidade de Umeå, liderou a equipe que fez essa descoberta surpreendente. Durante as pesquisas, foram encontrados outros abetos na região, alguns com mais de 8 mil anos. A árvore Old Tjikko, em particular, possui um sistema radicular com aproximadamente 9.550 anos, o que a coloca como uma das mais antigas conhecidas.
A hipótese levantada por Kullmann sugere que os abetos da região podem ter sido introduzidos por seres humanos que migraram por áreas que se tornaram habitáveis após o recuo das geleiras. Essa longevidade não apenas desafia o entendimento sobre as árvores, mas também oferece uma oportunidade de compreender as mudanças ambientais que ocorreram ao longo de milênios.
Além da Old Tjikko, uma descoberta controversa em uma floresta do Chile levanta a possibilidade de que um antigo cipreste, conhecido como Gran Abuelo, possa ter uma idade superior à de qualquer outra árvore viva. Com a contínua evolução das pesquisas, a definição de qual árvore detém o título de mais antiga do mundo permanece em aberto, refletindo a complexidade da biologia e da ecologia das árvores.
À medida que novas descobertas são feitas, a questão sobre qual é a árvore mais velha do planeta se torna cada vez mais intrigante, envolvendo não apenas aspectos científicos, mas também o entendimento da história da Terra e de suas transformações ao longo do tempo. Essa competição por um título que parece simples é, na verdade, um campo fértil para a pesquisa e a reflexão sobre a vida das árvores e seu papel no nosso planeta.











