Após cobrança por anistia, Hugo Motta bloqueia associação de familiares de presos do 8/1

A Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav) denunciou ter sido bloqueada no Instagram pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O bloqueio ocorreu após um comentário da advogada da associação, Carolina Siebra, cobrando o cumprimento de promessas feitas aos familiares de presos políticos.

De acordo com Carolina Siebra, o comentário era um lembrete respeitoso do compromisso assumido por Motta em reunião no início do ano. “Fui surpreendida ontem à noite, tinha feito um comentário na postagem do presidente Hugo Motta pedindo que ele cumprisse a promessa dele”, relatou a advogada ao Jornal da Oeste.

Siebra afirmou ter se encontrado pessoalmente com Motta, acompanhada de familiares de presos, incluindo a mulher de Ezequiel e a viúva de Clezão. Na ocasião, segundo ela, o parlamentar prometeu pautar a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Após o comentário, Carolina Siebra percebeu que não conseguia mais acessar o perfil de Hugo Motta, nem pelo perfil pessoal, nem pelo da Asfav. “Isso prova tanto que foi um bloqueio, que eu parei de seguir o presidente que eu já seguia”, explicou, classificando o ato como “lamentável” e “antidemocrático”, considerando que a Asfav representa diversas famílias e busca a anistia no Congresso.

A advogada também criticou as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos réus do 8/1. Ela citou o caso de Débora dos Santos, cuja pena proposta por Alexandre de Moraes foi de 14 anos, enquanto Luiz Fux sugeriu um ano e seis meses. Para Carolina, a Corte “não cumpre as regras constitucionais e nem o processo penal brasileiro”.

Embora critique a atuação do ministro Alexandre de Moraes, a Asfav tem focado seus esforços em apoio humanitário e na luta pela anistia. “Hoje o nosso principal objetivo é devolver essas pessoas para suas famílias”, ressaltou Carolina Siebra.

A Asfav entregou ao deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição, um relatório de 2,5 mil páginas com denúncias de maus-tratos nos presídios. Com base no documento, foi criada uma subcomissão na Comissão de Segurança Pública para investigar as alegações.

Carolina Siebra destacou o caso de Vildete, de 74 anos, presa e atualmente em cadeira de rodas, com a saúde debilitada. “Ela entrou andando pela porta da frente e, por conta das suas comorbidades, está de cadeira de roda”, lamentou. “Dizer que uma pessoa com um quadro desse é um risco à segurança do país é um absurdo completo.”

A subcomissão aguarda autorização do ministro Alexandre de Moraes para que senadores possam visitar os presídios e verificar as denúncias apresentadas. Segundo a advogada, “essas visitas foram já aprovadas no Senado, mas não foram aprovadas ainda pelo ministro”.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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