Em um revés nas relações diplomáticas, o governo de Cuba prendeu novamente, nesta terça-feira, os opositores José Daniel Ferrer e Félix Navarro. A ação ocorre apenas três meses após a libertação dos dois, resultado de um acordo mediado entre Cuba, os Estados Unidos e o Vaticano.
A libertação dos opositores havia sido parte de um grupo de 553 prisioneiros soltos em janeiro, sob um acordo facilitado pela Igreja Católica, durante o final do governo do ex-presidente americano Joe Biden. O acordo envolvia o alívio de sanções econômicas e a retirada de Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo, uma medida posteriormente revertida pelo governo de Donald Trump.
As novas prisões geram preocupação sobre o respeito aos direitos humanos na ilha. José Daniel Ferrer, fundador de um grupo de oposição em Santiago de Cuba, foi detido sob a alegação de faltar a audiências judiciais, o que violaria os termos de sua liberdade condicional. Ferrer contesta a acusação, afirmando ter sido preso injustamente e negando a necessidade de comparecer às audiências.
Félix Navarro, por sua vez, havia sido condenado a nove anos de prisão por protestar contra o regime em 2021. Sua liberdade condicional foi revogada sob o argumento de que ele deixou seu município sete vezes sem a devida autorização judicial.
A vice-presidente do Supremo Tribunal Popular, Maricela Sosa, declarou que ambos os detidos violaram regras legais e incentivaram a desordem pública, além de manterem contato com diplomatas dos EUA. Contudo, ela ressaltou que as prisões desta semana não estão diretamente ligadas a essas condutas, prometendo uma investigação aprofundada dos casos.
Em defesa dos opositores, Johanna Cilano, pesquisadora da Anistia Internacional para o Caribe, afirmou: “Desde que saíram da prisão, os dois mantiveram uma denúncia constante sobre as violações de direitos humanos e o compromisso com suas crenças e com a luta pela liberdade. Fizeram isso apesar do assédio, das ameaças e da repressão constante”. A irmã de Ferrer, Ana Belkis Ferrer, denunciou também a prisão da mulher e do filho do opositor, juntamente com outros ativistas, exigindo a libertação de todos os detidos.
Fonte: http://revistaoeste.com











