Em 1974, o São Paulo Futebol Clube alcançava um marco histórico: sua primeira final de Copa Libertadores da América. O feito, no entanto, carrega uma história surpreendente, que demonstra um espírito esportivo hoje quase impensável no futebol brasileiro. Naquela ocasião, os maiores rivais do Tricolor Paulista uniram forças em prol do clube na busca pelo título continental.
Diante do Independiente da Argentina, a decisão mobilizou figuras impensáveis. Os presidentes de Corinthians, Palmeiras, Santos e Portuguesa, à época, deixaram a rivalidade de lado. Juntos, eles protagonizaram um gesto nobre: convocaram suas torcidas a apoiar o São Paulo na grande final, demonstrando um patriotismo clubístico que transcendia as cores.
Vicente Matheus, lendário presidente do Corinthians, declarou em rede nacional: “Faço um apelo à torcida corintiana e aos esportistas em geral… que depois do jogo, se incorporem com suas bandeiras para prestigiar nosso querido amigo, o São Paulo”. A fala ecoou nos demais dirigentes, que seguiram a mesma linha de apoio irrestrito.
Paschoal Walter Byron, mandatário do Palmeiras, complementou: “À grande torcida do Palmeiras, peço que levem todas as bandeiras do nosso clube ao Pacaembu… torcendo para o São Paulo. Vão ao estádio, torçam pelo nosso irmão”. Jornais da época registraram o momento único, com manchetes que destacavam a união improvável.
O jornalista e historiador Celso Unzelte, da ESPN, explica: “Esse episódio é um sinal dos tempos. De outros tempos… paulista torcia para paulista, brasileiro torcia para brasileiro”. Para Unzelte, a escalada da rivalidade ao longo dos anos tornou esse tipo de ação praticamente impossível no futebol moderno.
A final de 1974, decidida em três jogos, viu o São Paulo vencer a primeira partida no Pacaembu por 2 a 1. No entanto, o Independiente reverteu o placar em Avellaneda, vencendo por 2 a 0, o que forçou um terceiro jogo em campo neutro, em Santiago, no Chile. Lá, a equipe argentina venceu por 1 a 0 e conquistou o título.
O São Paulo busca agora, em 2025, repetir o feito de chegar à final. A equipe enfrenta o Libertad pela Libertadores e lidera seu grupo. O clube vive uma fase invicta histórica, buscando carimbar a vaga para as oitavas de final e seguir em busca do tão sonhado título.
Fonte: http://esporte.ig.com.br











