O Brasil registrou o primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja de aves comerciais, conforme confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A ocorrência foi identificada em Montenegro, região metropolitana de Porto Alegre (RS), gerando um alerta para o setor e para a saúde pública. A confirmação do caso já desencadeou medidas preventivas para evitar a disseminação do vírus.
Em resposta, alguns países, incluindo China e União Europeia, suspenderam temporariamente a importação de carne de frango brasileira. Essa medida está prevista em acordos internacionais que exigem que as regiões exportadoras estejam livres da doença, a fim de proteger seus próprios rebanhos. A suspensão temporária visa garantir a segurança sanitária e evitar a propagação do vírus em outros territórios.
A gripe aviária, ou influenza aviária, é causada pelo vírus H5N1, uma cepa altamente agressiva da família influenza. Embora comum em aves, o vírus é letal e possui alta capacidade de disseminação, especialmente em ambientes como granjas e criadouros. O vírus H5N1 surgiu de mutações detectadas em 1996 e, desde 2020, tem sido registrado em diversas partes do mundo.
Embora o Brasil já tivesse registrado casos de gripe aviária em aves silvestres desde 2023, esta é a primeira ocorrência em aves de criação comercial. O caso confirmado envolveu uma granja de reprodução, onde 35 aves foram infectadas. Em resposta, o Mapa decretou emergência zoossanitária por 60 dias na região, implementando o bloqueio da circulação de aves e produtos em um raio de 10 km.
A transmissão para humanos é considerada rara, mas possível, especialmente em casos de contato direto com aves doentes. O risco é maior para tratadores e trabalhadores rurais, que lidam diretamente com as aves. A contaminação pode ocorrer por meio de aerossóis, pequenas partículas eliminadas por espirros ou fezes das aves.
É importante ressaltar que não há evidências de transmissão do vírus H5N1 de pessoa para pessoa, nem de contaminação pelo consumo de carne de frango ou ovos. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) assegura que o consumo de frango e ovos permanece seguro, desde que os alimentos sejam cozidos ou preparados corretamente. “Os protocolos de segurança estão sendo rigorosamente seguidos, tanto para proteger os trabalhadores quanto para evitar a disseminação do vírus”, reforçou o ministro Carlos Fávaro.
Diante da confirmação do caso, países como Argentina, Arábia Saudita, Japão e Reino Unido suspenderam temporariamente a compra de frango da região afetada. Essa medida é comum em situações de surtos sanitários, como forma de proteger os rebanhos locais. O governo brasileiro informou que já iniciou ações de controle, contenção e rastreio, comunicando o caso à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e a seus parceiros comerciais.
Apesar da situação estar sob controle, o alerta permanece. Especialistas apontam que, se as medidas de controle forem efetivas, as exportações suspensas podem ser retomadas em até 60 dias. No entanto, a vigilância constante é fundamental, considerando que em outros países, como os Estados Unidos, o vírus se espalhou para bovinos e até para o sistema hídrico.
Fonte: http://massa.com.br











