A Censura Renomeada: O Combate à Desinformação como Estratégia de Silenciamento

A recente onda de medidas governamentais sob o pretexto de combater a desinformação levanta sérias dúvidas sobre suas reais intenções. Longe de serem um esforço genuíno para proteger a verdade, essas iniciativas parecem ter como objetivo principal blindar o governo das críticas e da imprevisibilidade inerentes ao debate democrático. Como aponta o autor, “o que se chama hoje de ‘combate à desinformação’ tem menos a ver com proteger a democracia e mais a ver com proteger o governo da democracia”.

O cerne da questão reside na domesticação do dissenso. Uma oposição ativa, que questiona e expõe as fragilidades do poder, representa uma ameaça maior do que qualquer disseminação de boatos. Afinal, o que realmente incomoda não são as notícias falsas, mas a verdade inconveniente, aquela que desmascara a narrativa oficial e revela a desordem por trás da fachada. Em um país com memória curta, a tentação de renomear a censura como “regulação” e vendê-la como modernidade é grande.

O autoritarismo assume, assim, uma nova face, digital e aparentemente cordial. Um governo que, incapaz de controlar os fatos, busca controlar a linguagem, decidindo o que pode e o que não pode ser dito. Essa perseguição à liberdade de expressão, travestida de proteção coletiva, esconde o antigo desejo de silenciar vozes dissonantes.

A adesão cega a líderes políticos, a confusão entre afeto e fidelidade, tornam muitos complacentes com medidas inquisitórias, desde que sancionadas por figuras idolatradas. No entanto, o preço da supressão da opinião alheia é, invariavelmente, a perda da própria voz. Um silêncio que, por vezes, se manifesta sob a falsa promessa de uma “comunidade segura”, aprisionando-nos em uma realidade filtrada e controlada.

Fonte: http://pleno.news

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