Lula Apela à ONU por Nova Missão de Paz no Haiti Diante da Escalada da Crise Humanitária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo enfático à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, defendendo que a instituição assuma um papel mais ativo no Haiti. Em seu discurso, Lula sugeriu que a ONU financie a atual missão de segurança no país caribenho ou estabeleça uma nova missão de paz, buscando estabilizar a nação assolada pela violência de gangues.

A escalada da violência no Haiti tem gerado uma grave crise humanitária, política e econômica. Gangues controlam grande parte de Porto Príncipe e outras áreas cruciais do país, resultando em um número alarmante de deslocados internos – cerca de 1,3 milhão de pessoas, de acordo com a ONU – que sofrem com assassinatos, estupros, saques e sequestros.

“O Haiti não pode ser punido eternamente por ter sido o primeiro país das Américas a se tornar independente”, declarou Lula, criticando o que considera um histórico de abandono e indiferença. Ele enfatizou a necessidade de um plano de desenvolvimento nacional para o Haiti, com o engajamento da comunidade internacional.

O Brasil se ofereceu para auxiliar na estabilização do Haiti, com a Polícia Federal brasileira se preparando para treinar 400 policiais haitianos nos próximos meses. Lula também manifestou o interesse do Brasil em cooperar na organização de futuras eleições presidenciais, considerando a estabilidade da segurança como um passo crucial.

Além do apoio à segurança, o Brasil pretende estruturar um programa de transferência de renda para os haitianos, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Adicionalmente, o Haiti foi selecionado, junto com a República Dominicana, para receber os primeiros projetos da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, liderada pelo Brasil.

Lula também mencionou a experiência brasileira na Minustah, a missão de paz da ONU liderada pelo Brasil que atuou no Haiti por 13 anos, até 2017. “Após o terremoto de 2010, fomos o primeiro país a contribuir com US$ 55 milhões ao fundo de reconstrução do Haiti”, lembrou o presidente, ressaltando o compromisso contínuo do Brasil com o país caribenho.

Durante a Cúpula Brasil-Caribe, Lula reforçou a importância da autonomia regional e condenou o embargo contra Cuba, defendendo uma maior integração entre o Brasil e os países caribenhos. Ele anunciou a criação de um fórum ministerial Brasil-Caribe para fortalecer essa cooperação, focando em áreas como segurança alimentar, mudanças climáticas e transição energética.

No âmbito das mudanças climáticas, Lula cobrou metas ambiciosas dos países para a COP30, que será realizada em Belém. O Brasil, em parceria com a Dinamarca, oferece apoio técnico aos países caribenhos na formulação e implementação de suas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Com foco na segurança alimentar, Lula destacou a adesão de Santa Lúcia, Cuba e o Banco de Desenvolvimento do Caribe à Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. Ele também incentivou a participação dos países caribenhos na Rede de Sistemas Públicos de Abastecimento da América Latina e Caribe, visando garantir o acesso a alimentos e preços estáveis.

O presidente ainda apontou para a necessidade de melhorar a infraestrutura de transporte entre o Brasil e o Caribe, mencionando o programa Rota da Integração Sul-Americana. Além disso, anunciou um aporte de US$ 5 milhões ao fundo especial de desenvolvimento do Banco de Desenvolvimento do Caribe para auxiliar os países mais vulneráveis da região.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br

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