A recente manifestação de pesar do presidente Lula pela morte de Ebrahim Raisi, o “carniceiro de Teerã”, lança luz sobre uma controversa aproximação ideológica. A atitude, vista por muitos como inadequada dado o histórico de Raisi em violações de direitos humanos, reacende o debate sobre as afinidades entre certos setores da esquerda e o islamismo radical.
Essa convergência, longe de ser uma mera peculiaridade da política externa, reflete uma simetria moral mais profunda. Autores como David Horowitz e Jamie Glazov já exploraram essa aliança, demonstrando como a esquerda revolucionária, após o declínio da União Soviética, encontrou no radicalismo islâmico um novo aliado para sua agenda anti-Ocidente.
Em “Unholy Alliance”, Horowitz detalha a gênese desse pacto, enquanto Glazov, em “United in Hate”, examina o impulso autodestrutivo que leva certos grupos a apoiar regimes que os oprimiriam. Essa dinâmica, como observa Pascal Bruckner, revela um “masoquismo ocidental”, onde o ódio aos EUA e a Israel sobrepõe-se a outros valores.
A permissão para que navios de guerra iranianos atracassem em portos brasileiros, logo no início do governo Lula, exemplifica essa postura. Tal gesto, criticado discretamente pelos Estados Unidos, sinaliza uma inclinação a priorizar regimes que desafiam a ordem global estabelecida, mesmo que à custa de princípios humanitários.
A admiração demonstrada não se dirige ao islamismo em si, mas ao modelo de poder autoritário e à coerção ideológica. O que se almeja é a imagem de um Estado forte e centralizado, onde o dissenso é silenciado e uma ideologia dominante controla a sociedade, ecoando a utopia de um regime imune a oposições.
Fonte: http://www.revistaoeste.com










