O Cannes Lions, maior festival de criatividade do mundo, retirou o Grand Prix da agência brasileira DM9 pela campanha “Efficient Way to Pay”, criada para a Consul. A premiação, na categoria “creative data”, foi revogada após a constatação de manipulação com inteligência artificial.
A organização do festival descobriu que o videocase da campanha utilizou IA para simular resultados e eventos, apresentando informações imprecisas ao júri. Essa manipulação incluiu trechos de reportagens e falas de personalidades, alterados para se adequarem à narrativa da campanha.
Diante da polêmica, a DM9 retirou voluntariamente todas as inscrições relacionadas à campanha, incluindo um prêmio de bronze na categoria “creative commerce”. Além disso, a agência excluiu outros dois trabalhos do festival: “Plastic Blood” e “Gold = Death”, este último criado para a Urihi Yanomami.
Em nota, a DM9 reconheceu “inconsistências graves relacionadas à veracidade ou legitimidade dos trabalhos apresentados” e pediu desculpas públicas. O copresidente e diretor criativo da empresa, Icaro Doria, assumiu total responsabilidade pelo caso e deixou a agência.
O videocase de “Efficient Way to Pay” continha trechos manipulados de uma reportagem da CNN Brasil e de uma palestra da senadora DeAndrea Salvador no TED Talks. A CNN solicitou a exclusão imediata do conteúdo manipulado de todas as plataformas.
Como resposta ao escândalo, o Cannes Lions anunciou novas regras para reforçar a integridade dos prêmios. As medidas incluem a exigência de declaração sobre o uso de IA, um código de conduta para as agências e ferramentas de detecção de conteúdo manipulado. A organização enfatizou que o festival existe para “celebrar a criatividade real, representativa e responsável”.
Este não é o primeiro caso de premiação cassada no Cannes Lions, mas é considerado o maior escândalo da publicidade brasileira no festival. Com a exclusão dos prêmios da DM9, o total de Leões conquistados pelo Brasil em 2025 caiu de 107 para 95.
Apesar disso, o Brasil foi homenageado como “creative country of the year”, e o publicitário Washington Olivetto recebeu uma homenagem póstuma. Simon Cook, CEO do evento, destacou o “impacto inegável” do Brasil na indústria criativa global.
Outras campanhas brasileiras também foram questionadas nesta edição do Cannes Lions. A campanha “Followers Store”, da Le Pub para a New Balance, e o case “One Second Ads”, da Africa para a Budweiser, foram alvo de críticas e questionamentos.
Fonte: http://revistaoeste.com











