O ex-assessor especial do governo Bolsonaro, Filipe Martins, agora terá a defesa conduzida pelo advogado criminalista Jeffrey Chiquini no Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança ocorre em meio ao processo que investiga uma suposta trama golpista e representa uma nova estratégia para Martins, que se tornou réu em abril.
Chiquini, que também defende o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo no mesmo caso, assume a responsabilidade após a saída do ex-desembargador Sebastião Coelho. A equipe de defesa demonstra confiança na inocência de Martins e promete comprovar sua alegação durante o processo. A expectativa é que a experiência de Chiquini traga novos elementos para a defesa do ex-assessor.
A acusação contra Martins o coloca como integrante do “núcleo 2” da suposta organização criminosa, com participação na elaboração de uma minuta golpista. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) detalha o envolvimento do ex-assessor em medidas excepcionais, incluindo a prisão de autoridades e a convocação de novas eleições.
Em comunicado, o escritório de Chiquini enfatizou a fragilidade da acusação contra Filipe Martins. A defesa argumenta que não foram apresentadas provas concretas e classifica as acusações como baseadas em “suposições políticas e narrativas distorcidas”. A nota ainda critica a admissibilidade de um processo penal sem indícios mínimos de materialidade e autoria.
“Ao longo de todo o processo, nenhuma prova concreta foi apresentada contra Filipe Martins”, sustenta o comunicado da defesa, que promete lutar pela restauração da verdade. As oitivas das testemunhas arroladas por Martins e outros réus estão agendadas para a próxima segunda-feira, dia 14, incluindo nomes como o deputado federal Marcel van Hattem e o ex-ministro Gonçalves Dias.
Em uma entrevista recente, Chiquini classificou o processo como “a maior farsa da história do país”, defendendo que o delator Cid teria negado a tentativa de golpe. Segundo o advogado, Cid reiterou que “não houve organização criminosa, que não houve mobilização para atentar contra a democracia, que Bolsonaro nunca tratou de golpe com os comandantes militares”.
Chiquini também destacou as contradições nas provas apresentadas e as inúmeras vezes em que Cid alegou desconhecimento ou esquecimento durante seu depoimento. O advogado afirmou ter contabilizado mais de 920 vezes em que Cid disse “não sei” ou “não lembro”, questionando a validade do depoimento como prova.
A defesa pretende questionar a ausência da “minuta do golpe” e a falta de relação entre os eventos de 8 de janeiro e a suposta trama golpista. Chiquini assegura que tomará todas as medidas jurídicas cabíveis para garantir a justiça no caso de Filipe Martins.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











