Saúde Mental no Trabalho: Nova Norma Exige Atenção das Empresas do Paraná

Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná debateu a implementação da nova Norma Reguladora 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego, que obriga empresas a gerenciarem os riscos à saúde mental de seus funcionários. O evento, organizado pela deputada Márcia Huçulak (PSD) em parceria com a Faciap, buscou orientar as empresas paranaenses sobre como se adequar às novas exigências. A norma, que entra em vigor em maio de 2026, amplia as ações do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo a identificação e o gerenciamento de riscos psicossociais, como estresse e metas excessivas.

A deputada Márcia Huçulak ressaltou que a atualização da NR-1 representa uma mudança de paradigma, focando não apenas nas condições físicas do ambiente de trabalho, mas também nas relações interpessoais. “[A atualização da NR-1] traz um conceito diferenciado de não olhar apenas a estrutura […] mas também as condições das relações”, explicou. Flávio Furlan, presidente da Faciap, complementou que a nova legislação apenas formaliza uma preocupação já existente entre as associações comerciais.

A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT-PR), Patrícia Blanc Gaidex, enfatizou que a norma se aplica tanto ao setor público quanto ao privado, exigindo um engajamento contínuo das empresas. “A obrigação do empregador é identificá-los, avaliar as operações do trabalho, ver o que é necessário mudar, as medidas preventivas e fazer uma aplicação disso”, detalhou. Treinamentos e rodas de conversa foram apontados como medidas importantes a serem adotadas.

O desembargador Célio Horst Waldraff, presidente do TRT-PR, destacou que a atenção à saúde mental no trabalho pode impulsionar a produtividade. “Estamos descobrindo de maneira gradual que melhores condições de trabalho conduzem a mais eficiência no funcionamento empresarial”, afirmou. Contudo, Lourival Macedo, vice-presidente da Faciap, alertou para os desafios que as pequenas empresas enfrentarão na implementação das novas normas.

Dados do Observatório da Segurança e Saúde no Trabalho revelam a importância do tema: em 2021, transtornos mentais foram a terceira maior causa de afastamentos no Brasil, e em 2024, houve um aumento de 68% nesses afastamentos em relação a 2023. Aline Guedes, do Cest-PR, frisou que o trabalho tem influência direta na saúde e doença, e que os riscos psicossociais envolvem a interação entre as características do trabalhador e as condições do trabalho.

Além do absenteísmo, o médico do Sesi-Paraná, Guilherme Murta, alertou para o “presenteísmo”, quando o funcionário comparece ao trabalho doente, comprometendo sua produtividade e aumentando o risco de acidentes. Profissionais de RH presentes no debate reforçaram a importância de uma mudança cultural nas empresas. Lisiane Domingos, coordenadora de RH da Faciap, incentivou os empresários a enxergarem a nova norma como uma oportunidade para melhorar o ambiente de trabalho e cuidar de seus funcionários.

Fonte: http://www.assembleia.pr.leg.br

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