Em um movimento que reacende o debate sobre a solução para o conflito israelo-palestino, Reino Unido, Austrália e Canadá anunciaram, neste domingo, o reconhecimento formal do Estado da Palestina. A medida, que ocorre em meio à 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova York, já provoca reações divergentes na comunidade internacional. Para Israel e alguns aliados, a iniciativa pode ser vista como ineficaz e até mesmo como um incentivo ao Hamas.
Os anúncios coordenados dos três países representam um endosso significativo à solução de dois Estados, defendida pela ONU. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou em suas redes sociais que o reconhecimento visa “reviver a esperança de paz entre palestinos e israelenses”. Starmer já havia sinalizado a possibilidade do reconhecimento em setembro, caso Israel não atendesse a exigências como cessar-fogo em Gaza e o fim da anexação da Cisjordânia.
Na mesma linha, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, enfatizou que a decisão reconhece “as aspirações legítimas e antigas do povo palestino de ter um Estado próprio”. Albanese reiterou o compromisso de longa data da Austrália com a solução de dois Estados, considerando-a o único caminho para uma paz duradoura. O Canadá, por sua vez, manifestou disposição para colaborar na construção de um futuro pacífico tanto para a Palestina quanto para Israel, conforme comunicado do primeiro-ministro Mark Carney.
Contrariamente a essa onda de reconhecimento, Israel, Estados Unidos e Alemanha se opõem à medida. Um dos principais argumentos é que o reconhecimento do Estado Palestino poderia ser interpretado como uma recompensa ao Hamas, especialmente após os ataques de 7 de outubro de 2023. A oposição destaca que tal ação poderia legitimar o grupo e dificultar as negociações de paz.
Com a decisão, Reino Unido, Austrália e Canadá se juntam a uma lista de aproximadamente 140 Estados membros da ONU que já reconhecem a Palestina, incluindo Brasil, Espanha e Rússia. A iniciativa, contudo, não garante um consenso global e a questão permanece no centro de intensos debates diplomáticos. Para aprofundar a análise sobre o tema, a Revista Oeste oferece o artigo ‘O picadeiro da ONU’, de Augusto Nunes, em sua edição 288.
Fonte: http://revistaoeste.com











