A delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, chamou a atenção nesta sexta-feira, 26, ao utilizar o lenço palestino conhecido como keffiyeh. O gesto ocorreu momentos antes de os diplomatas deixarem o plenário durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em um protesto que envolveu diversas outras nações.
A manifestação, que aconteceu no quarto dia do encontro, foi um gesto de apoio à causa palestina, segundo informações da GloboNews. A decisão de boicotar a fala de Netanyahu foi justificada pelo governo brasileiro como uma resposta ao descumprimento das decisões do Tribunal Penal Internacional e da Corte Internacional de Justiça.
Além do Brasil, delegações de países árabes como Líbano, Arábia Saudita e Qatar também se retiraram, juntamente com Coreia do Sul, Turquia, Irã, Venezuela, Sri Lanka, Tunísia e Senegal. Em contrapartida, países como Estados Unidos, Argentina, Armênia, Benin e Camboja permaneceram na sala.
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, confirmou que a saída foi um ato de repúdio, enfatizando que a decisão não se relaciona com o povo judeu nem com a existência do Estado de Israel, mas sim com “o respeito à população palestina”. A atitude da delegação brasileira reacende o debate sobre o uso do keffiyeh como símbolo político.
O uso do keffiyeh por membros do governo Lula não é inédito. Em agosto, o próprio presidente Lula usou um lenço com a frase “Jerusalém é nossa, estamos chegando”, associada ao Hamas. Em fevereiro, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, recebeu um keffiyeh em um evento do ministério, descrito como “um símbolo da resistência dos nossos irmãos palestinos”.
O keffiyeh, tradicionalmente usado por camponeses palestinos, tornou-se um símbolo de nacionalismo e resistência, sendo adotado por militantes de diversos grupos, incluindo o Hamas, o Hezbollah e a Jihad Islâmica. Durante seu discurso, Netanyahu criticou os países que reconheceram o Estado palestino, comparando a ação a “dar um Estado à Al Qaeda depois do 11 de Setembro”.
Fonte: http://revistaoeste.com











