Reviravolta na Bolívia: Justiça anula ordem de prisão contra Evo Morales

Uma juíza boliviana anulou, na última quarta-feira, o mandado de prisão que pesava sobre o ex-presidente Evo Morales em um caso de tráfico de pessoas agravado. A decisão representa um novo capítulo na saga judicial enfrentada pelo ex-líder, que busca retornar à cena política do país.

O processo, no entanto, não foi encerrado. A investigação, que antes corria em Tarija, foi transferida para Villa Tunari, no coração do Trópico de Cochabamba, uma região de forte influência política de Morales. A mudança de jurisdição reacende o debate sobre a imparcialidade do caso.

Segundo o advogado de Morales, Nelson Cox, a anulação garante “liberdade irrestrita” ao ex-presidente. Cox argumenta que a defesa solicitou a transferência do caso para um “juiz natural” em Villa Tunari, alegando que o processo, arquivado em 2020, foi reaberto sem uma queixa formal da suposta vítima.

A promotoria havia solicitado a prisão de Morales em outubro de 2024, acusando-o de ter tido um filho com uma menor durante seu mandato presidencial. A Justiça acatou o pedido, mas a recente decisão judicial reverteu essa determinação.

“Fica anulada qualquer ordem de revelia, mandado de prisão judicial contra Juan Evo Morales Ayma, assim como qualquer tipo de ação que afete e/ou restrinja os direitos reivindicados pelo autor”, afirma a decisão judicial. A medida reacende as tensões políticas na Bolívia.

Em janeiro, a ausência de Morales em audiências, justificada por problemas de saúde, resultou na emissão do mandado de prisão. O tribunal também o proibiu de deixar o país, ordenou o bloqueio de seus bens e o congelamento de suas contas bancárias. Em resposta, seus apoiadores realizaram bloqueios de estradas por 24 dias.

Apesar dos percalços legais, Morales manifestou o desejo de concorrer à presidência nas eleições de agosto. Contudo, a Constituição boliviana impede um terceiro mandato consecutivo ou não. Mesmo assim, Morales e seus apoiadores planejam registrar sua candidatura em La Paz.

As relações entre Morales e o atual presidente, Luis Arce, outrora aliados, estão abaladas por divergências na gestão do governo e do partido. Arce também é cotado para disputar a reeleição pelo MAS, o que acirra ainda mais a disputa política no país.

Fonte: http://revistaoeste.com

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