A Venezuela desafiou abertamente a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ao anunciar que prosseguirá com as eleições parlamentares e regionais no território de Essequibo, área de longa disputa com a Guiana. A decisão ocorre apesar da ordem explícita da CIJ para suspender o pleito, intensificando a crise diplomática entre os países vizinhos e gerando preocupação internacional.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em comunicado oficial, rejeitou a jurisdição da CIJ, declarando que “jamais reconhecerá a jurisdição da Corte” e, consequentemente, não acatará suas decisões. Essa postura desafiadora eleva a tensão na região e lança dúvidas sobre a capacidade de resolução pacífica do conflito.
A decisão da CIJ, emitida em resposta a um pedido da Guiana, visava evitar um “prejuízo irreversível” que as eleições venezuelanas poderiam causar. O tribunal ordenou que Caracas se abstivesse de organizar qualquer eleição na área em disputa, um território de 160 mil km² rico em petróleo, cuja soberania é reivindicada pela Venezuela.
Em contrapartida, a Guiana comemorou a decisão da Corte, com o presidente Irfaan Ali afirmando que “Mais uma vez, a posição da Guiana prevaleceu” e que ficou demonstrado que a posição do país está em conformidade com o direito internacional. No entanto, a CIJ não possui mecanismos para impor suas decisões, o que limita sua capacidade de influenciar diretamente as ações da Venezuela.
Apesar da ordem da CIJ, o governo venezuelano manteve o cronograma eleitoral para o dia 25 de maio, data em que pretende eleger representantes do recém-criado “Estado de Guayana Esequiba”. Essa medida representa um passo adicional na escalada política iniciada em dezembro de 2023, quando a Venezuela realizou um referendo para legitimar sua reivindicação sobre o território, um gesto amplamente criticado pela Guiana e pela comunidade internacional.
Quatro candidatos disputam a eleição para o governo do Estado de Guayana Esequiba: o Almirante Neil Villamizar, indicado diretamente por Maduro; Julio Cesar Pineda, representante do PSUV; o sociólogo Héctor Milano; e o advogado Alexis Duarte, que concorre pela coligação UNT-Única.
A disputa territorial entre Venezuela e Guiana remonta ao século XIX, com tratados firmados pelo Reino Unido, então potência colonial, contestados por Caracas. A descoberta de vastas reservas de petróleo pela ExxonMobil em 2015 intensificou a disputa, elevando o valor geopolítico da região e reacendendo as tensões entre os países.
Fonte: http://revistaoeste.com











