Um profundo pessimismo paira sobre o futuro do Brasil, impulsionado pela ausência de um movimento popular consistente em direção à evolução social e nacional. A sociedade enfrenta desafios multifacetados, incluindo a deterioração da cultura, a politização exacerbada das relações e uma economia influenciada por ideologias questionáveis. No entanto, o cerne do problema reside em um clima de fragmentação social, marcado pela desconfiança e hostilidade generalizada entre os indivíduos.
Em uma democracia saudável, divergências e debates são esperados, mas a progressão de uma nação depende de um consenso mínimo em torno de valores fundamentais, do funcionamento institucional e das regras básicas de convivência. Uma sociedade perpetuamente dividida e fraturada carece da coesão essencial para prosperar. Essa coesão, crucialmente, não é imposta pelo Estado ou por propagandas ideológicas, mas sim cultivada através da confiança orgânica entre as pessoas.
A importância da confiança, embora aparentemente simplória, é frequentemente negligenciada. Adam Smith, em sua obra “Teoria dos Sentimentos Morais”, enfatizou o papel da empatia social como força unificadora. De forma semelhante, Alain Peyrefitte, em “A Sociedade da Confiança”, destaca como padrões estáveis de confiança pública e privada impulsionam o progresso das nações, independentemente de suas matrizes religiosas e culturais.
A confiança atua como um catalisador para a estabilidade, incentivando investimentos e trocas, o que, por sua vez, promove o crescimento e reforça a própria confiança. Estados que garantem o cumprimento das leis, exercem o poder com moderação e oferecem previsibilidade em suas regulamentações fomentam um ambiente propício à construção da confiança em toda a sociedade. Indivíduos, empresas e instituições não estatais podem, assim, desenvolver seus planos e objetivos com base em regras claras e expectativas consistentes.
No entanto, o Brasil contemporâneo se encontra imerso em uma “sociedade das desconfianças”, onde divisões ideológicas minam qualquer senso de união em torno de princípios e normas. A defesa da liberdade de expressão e o funcionamento técnico das instituições são constantemente comprometidos por interesses políticos. Essa erosão da confiança, tanto no âmbito público quanto no privado, impede o crescimento duradouro e coloca em risco a própria civilização.
Sem uma cultura de união em torno de valores primordiais, o país permanece vulnerável a agentes e grupos que exploram as instituições em benefício próprio. A sociedade se torna, então, um “cativeiro enfeitado de democracia funcional”, onde os cidadãos são reféns de uma elite política e econômica. Romper com esse ciclo vicioso exige coragem, união e a determinação de superar divisões ideológicas e buscar um futuro de confiança e prosperidade compartilhada.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











