Ipea Cataloga Ações do BRICS Desde 2009, Impulsionando Governança e Expansão

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou um abrangente documento que compila todas as iniciativas implementadas pelos países do BRICS desde sua fundação em 2009. São mais de 180 mecanismos de cooperação, agora acessíveis para fortalecer a governança interna do grupo e servir como um guia para os novos membros.

O lançamento ocorreu durante o 17º Fórum Acadêmico do BRICS (FABRICS), realizado em Brasília. O portfólio documenta as atividades e resultados propostos pelo BRICS, tornando-se uma referência para novos participantes do bloco. Segundo Walter Desiderá, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, o documento também apresenta um histórico dos mecanismos que geraram resultados e engajamento.

A presidenta do Ipea, Luciana Santos Servo, enfatizou a natureza dinâmica do documento. “A entrega do documento é simbólica, pois essa documentação continuará em desenvolvimento, servindo como uma base de dados dos mecanismos propostos e implementados”, destacou.

O Fórum Acadêmico promoveu debates sob a presidência brasileira do BRICS, reunindo representantes de think tanks de nove países. As discussões foram organizadas em torno de seis eixos prioritários, incluindo saúde global, inteligência artificial e mudanças climáticas.

Um dos temas centrais foi o das mudanças climáticas, com foco nos impactos desproporcionais nos países em desenvolvimento. A necessidade de justiça climática e a redução das desigualdades regionais foram amplamente discutidas. Mulugeta Getu, pesquisador do Policy Studies Institute da Etiópia, apontou para a importância de investimentos em projetos sustentáveis, com o apoio do New Development Bank.

A arquitetura de segurança também ganhou destaque, especialmente em relação aos conflitos recentes no Oriente Médio. A reforma do sistema multilateral, especialmente o Conselho de Segurança da ONU, com o fortalecimento do Sul Global, foi defendida.

Os debatedores celebraram a expansão do BRICS em 2024, com a inclusão de Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã. No entanto, ressaltaram os desafios para ampliar os mecanismos de cooperação. Nirmala Gopal, professora da Universidade de KwaZulu-Natal, enfatizou a necessidade de ações concretas para fortalecer as instituições multilaterais.

Entre as propostas apresentadas, destacam-se a criação de modelos institucionais mais claros, estruturas de monitoramento de resultados e um escritório permanente do grupo. Segundo Haimanot Guangul, pesquisador do Institute of Foreign Affairs da Etiópia, a cooperação estratégica é fundamental para o desenvolvimento institucional do BRICS.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br

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