Em encontro bilateral no Palácio da Alvorada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, convergiram em um ponto crucial: a necessidade de Brasil e Índia ocuparem posições de destaque na governança global. Ambos líderes defenderam a inclusão dos dois países como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ecoando um clamor por maior representatividade no cenário internacional.
Lula enfatizou a urgência de fortalecer a ONU, criticando a ineficácia da organização e o papel de alguns membros permanentes no estímulo a conflitos. “Não é mais possível a gente ver a ONU enfraquecida, não sendo levada em consideração”, declarou o presidente, ressaltando o potencial de Brasil e Índia para contribuir significativamente para a paz e a estabilidade mundial.
Modi, por sua vez, destacou a parceria estratégica entre os dois países como um “pilar importante de estabilidade e equilíbrio”. Ambos líderes compartilham a visão de que disputas internacionais devem ser resolvidas por meio do diálogo e da democracia, alinhando-se em uma postura de tolerância zero em relação ao terrorismo.
A ampliação do acordo Mercosul-Índia também foi pauta do encontro, com o objetivo de reduzir barreiras comerciais e impulsionar o intercâmbio entre as duas economias. Lula apontou que apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão atualmente cobertas pelo acordo, sinalizando um vasto potencial para crescimento.
Acordos de cooperação foram firmados em áreas como combate ao terrorismo, energia renovável e transformação digital, demonstrando o aprofundamento da parceria bilateral. Na agenda ambiental, ambos os líderes se comprometeram a liderar a transição energética justa, buscando aliar redução de emissões de gases de efeito estufa com crescimento econômico e inclusão social.
No âmbito das críticas internacionais, Lula não poupou palavras ao reprovar a reação do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às negociações do Brics. “Nós não aceitamos nenhuma reclamação contra a reunião do Brics”, afirmou Lula, defendendo a autonomia do bloco em suas relações comerciais.











