A crença de que o aumento do consumo de carboidratos está diretamente ligado ao ganho de massa muscular é comum entre praticantes de musculação. Considerando que os carboidratos são a principal fonte de energia durante treinos de força, é compreensível que muitos pensem que quanto mais desse nutriente estiver disponível, melhor será o desempenho e, por consequência, os resultados.
No entanto, uma análise mais aprofundada, realizada por um grupo de pesquisadores liderado por Menno Henselmans, mostra que essa relação não é tão simples. A equipe avaliou dados de 11 ensaios clínicos randomizados, considerados um dos métodos mais rigorosos para investigar intervenções em saúde. Ao todo, 227 participantes foram monitorados em programas de treinamento de resistência, com duração variando entre quatro e doze semanas.
O foco da pesquisa foi comparar os efeitos de dietas com diferentes níveis de ingestão de carboidratos sobre o aumento da massa muscular, mantendo constante a ingestão de proteínas entre todos os grupos. Esse controle foi essencial, dado que a proteína é fundamental para a síntese de proteínas musculares, que é o processo responsável pela construção e recuperação dos músculos após os treinos.
Os resultados da análise conjunta indicaram que a quantidade de carboidratos consumida não resultou em uma diferença estatisticamente significativa no crescimento muscular. Isso significa que os participantes que ingeriram uma maior quantidade de carboidratos não aumentaram sua massa muscular em comparação àqueles que consumiram menos.
Adicionalmente, os pesquisadores revisaram a consistência dos dados ao remover individualmente cada estudo da análise, e a conclusão se manteve inalterada, reforçando que o resultado não dependia de um único experimento. É importante ressaltar que sete dos onze estudos analisados compararam dietas cetogênicas com outras formas de alimentação, o que pode ter influenciado os resultados.
Essas descobertas desafiam a percepção comum de que os carboidratos são essenciais para o ganho de massa muscular, sugerindo que a relação entre a ingestão desse macronutriente e o crescimento muscular é mais complexa do que muitos acreditam. Esse tipo de informação é relevante tanto para atletas quanto para pessoas que buscam melhorias na composição corporal.











