O mês de maio foi marcado pela intensa agenda do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, que participou de seis eventos patrocinados por empresas com processos pendentes de julgamento na Corte. Essa movimentação gerou debates sobre a ética e a imparcialidade do magistrado.
As críticas se intensificaram após a divulgação de um vídeo onde Barroso aparece cantando em um jantar beneficente na casa de Diego Barreto, CEO do iFood. A empresa tem interesse em temas relacionados ao vínculo empregatício entre entregadores e plataformas de delivery, que estão sob análise do STF.
Em resposta às críticas, durante sessão do CNJ, Barroso classificou os críticos como “incultos”, alegando que a repercussão negativa seria motivada pelo interesse da imprensa em “vender jornais”. A declaração gerou ainda mais controvérsia.
A agenda do ministro incluiu também uma série de eventos nos Estados Unidos, um deles patrocinado pela JBS, empresa com diversos processos tramitando no STF, muitos relacionados aos desdobramentos da Operação Lava Jato. A presença de Wesley Batista, um dos proprietários, no evento chamou atenção.
Além disso, Barroso participou de eventos organizados pela Lide Brasil e pela revista Veja, que contavam com patrocinadores também com processos no STF. Outro ponto polêmico foi a participação em uma cerimônia na casa do advogado Fernando Cavalcanti, de um escritório que atua em ações no STF contra o reconhecimento de vínculo empregatício.
A participação em um evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), envolvida em aproximadamente 30 processos no STF, encerrou a agenda do ministro em maio. Em meio à polêmica, Barroso defendeu-se, alegando haver “preconceito contra a livre iniciativa e contra os empresários em geral” no Brasil.
O STF, em nota, argumentou que Barroso mantém diálogo com diversos setores da sociedade, incluindo advogados, indígenas, empresários rurais e jornalistas. No entanto, a proximidade com empresas com interesses em julgamentos na Corte continua a gerar questionamentos sobre a independência do Judiciário.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











