Um levantamento recente revelou uma realidade preocupante em 12 estados brasileiros: o número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família supera o de trabalhadores com carteira assinada no setor privado. A disparidade, concentrada nas regiões Norte e Nordeste, expõe um desafio complexo para o desenvolvimento econômico e social do país, conforme apontado pela *Folha de S. Paulo*.
A análise, baseada em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) até 28 de maio, exclui o setor público da comparação. No Maranhão, a situação é mais crítica, com quase duas famílias dependendo do Bolsa Família para cada trabalhador formal. Em contraste, Santa Catarina apresenta um cenário oposto, com 11 trabalhadores formais para cada beneficiário do programa.
A dinâmica entre o programa social e o emprego formal tem oscilado nos últimos anos. Antes da pandemia, oito estados apresentavam essa inversão. A crise sanitária e a implementação de auxílios emergenciais elevaram esse número para 13 em 2022. Após ajustes e revisões nos cadastros, o total recuou para 12, mas a fragilidade persiste.
A disputa política em torno do programa também merece destaque. Em 2022, o então governo Bolsonaro renomeou o Bolsa Família para Auxílio Brasil e ampliou o número de beneficiários, além de elevar o valor do benefício. Com a volta de Lula à presidência, o programa retomou seu nome original e o valor médio subiu para R$ 681.
O governo atual tem realizado revisões cadastrais e apertado os critérios para concessão do benefício. Essas medidas, somadas à criação de novas vagas formais, contribuíram para reduzir o desequilíbrio entre beneficiários e trabalhadores com carteira assinada. No entanto, o desafio de impulsionar o emprego formal, especialmente nos estados do Norte e Nordeste, permanece urgente.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











