Contag sob suspeita: Operação da PF revela influência em emendas que enfraqueceram combate a fraudes no INSS

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), alvo de investigação da Polícia Federal, é acusada de orquestrar uma série de manobras no Congresso Nacional para diluir medidas de combate a fraudes no INSS. Documentos revelam que a entidade articulou a apresentação de 96 emendas à Medida Provisória nº 871/2019, buscando enfraquecer a fiscalização e facilitar descontos em benefícios.

As emendas, assinadas por deputados e senadores de esquerda, teriam sido redigidas dentro do próprio escritório da Contag, que é suspeita de desviar até R$ 2 bilhões de aposentados. A Polícia Federal investiga a atuação da entidade, que teria liderado o recebimento de valores provenientes de descontos associativos, acumulando cerca de R$ 2 bilhões entre 2019 e 2024.

O levantamento aponta para um forte lobby da Contag no Congresso. Quinze parlamentares, nove deles do PT, formalizaram emendas elaboradas pela confederação. Um dos principais objetivos da entidade, o fim da obrigatoriedade da revalidação anual dos descontos associativos, foi alcançado, beneficiando diretamente a Contag.

A investigação da Polícia Federal também revelou que o presidente da Contag assinou acordos diretamente com o INSS, solicitando o desbloqueio coletivo de milhares de benefícios para inclusão dos descontos associativos, procedimento classificado como irregular por auditoria interna do INSS. As apurações se estenderam a operações financeiras suspeitas, com indícios de lavagem de dinheiro envolvendo diretores e procuradores da entidade.

Em nota, a Contag defendeu sua atuação no Congresso, afirmando que busca proteger aposentados e trabalhadores rurais. Segundo a entidade, a Medida Provisória nº 871 representava um ataque aos segurados, especialmente os rurais com direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). Parlamentares que assinaram as emendas elaboradas pela Contag também se manifestaram, alegando que as propostas visavam defender os direitos dos trabalhadores e sindicatos.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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