A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets no Senado Federal concluiu suas investigações, apontando para um cenário alarmante de crimes financeiros e graves consequências sociais. O relatório final, divulgado nesta terça-feira, detalha esquemas de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, organização criminosa e manipulação algorítmica com suspeita de fraude nos resultados de jogos online.
A relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke, apresentou um documento de 541 páginas que expõe a magnitude do problema. O relatório pede uma regulação mais rigorosa das apostas online, a criação de um cadastro nacional de jogadores e restrições à publicidade das bets. Além disso, busca responsabilizar influenciadores que promovem jogos de azar de maneira enganosa.
O mercado das bets movimentou entre R$ 89 bilhões e R$ 129 bilhões no último ano, superando o orçamento de muitos setores essenciais. “Com um crescimento de 1.300% desde 2018, parece ser o melhor negócio do país. O consumo das famílias brasileiras diminuiu e empregos da economia real foram destruídos em benefício do lucro astronômico de poucos”, declarou a senadora Thronicke.
O relatório pede o indiciamento de influenciadoras como Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra, juntamente com outras 14 pessoas e empresas, por crimes que incluem lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, corrupção e organização criminosa. A votação do parecer foi adiada devido a um pedido de vista coletiva dos senadores, indicando a complexidade e o impacto das revelações.
Um dos pontos mais preocupantes destacados no relatório é a manipulação de resultados em jogos totalmente virtuais, como o “tigrinho”. A relatora Soraya Thronicke enfatizou a facilidade de manipulação desses jogos, que utilizam algoritmos não auditáveis, tornando-os suscetíveis à lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. O relatório pede a proibição total desse tipo de jogo.











