Delação de Cid: STF Adia Validação Definitiva para Julgamento do Caso de Tentativa de Golpe

O Supremo Tribunal Federal (STF) reservou para o julgamento dos acusados de envolvimento na suposta tentativa de golpe de Estado a análise definitiva da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. A expectativa é que essa avaliação ocorra no segundo semestre deste ano, conforme indicam fontes internas da Corte.

A decisão ocorre em meio a discussões sobre a validade da colaboração de Cid, especialmente após a divulgação de mensagens trocadas entre ele e um advogado ligado ao processo. Nesses diálogos, o militar compartilha detalhes da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), o que gerou cautela entre os ministros.

Apesar da repercussão das mensagens, a avaliação inicial no STF é de que o conteúdo das conversas não apresenta informações inéditas. Em março, a revista *Veja* já havia divulgado áudios em que Cid reclamava de suposta pressão da PF e criticava o ministro Alexandre de Moraes, resultando em sua prisão temporária na época.

Mesmo com esses episódios, Cid compareceu ao STF em diversas ocasiões, reafirmando a espontaneidade de sua colaboração e negando qualquer coação. Para os ministros, esse histórico dificulta a anulação da delação, embora a revisão dos benefícios concedidos a Cid não esteja descartada.

A prisão preventiva do coronel Marcelo Câmara, ex-assessor de Jair Bolsonaro e réu no mesmo processo, também adiciona complexidade ao caso. Moraes justificou a prisão apontando para indícios de que Câmara, por meio de seu advogado, tentava obstruir as investigações ao buscar informações sobre os depoimentos de Cid.

O advogado Luiz Eduardo Kuntz, envolvido nas conversas com Cid, declarou que foi o próprio tenente-coronel quem o procurou, alegando uma antiga amizade. Kuntz também explicou que registrou os diálogos em um Auto de Investigação Defensiva Criminal, instrumento legal que permite a advogados reunir provas para a defesa de seus clientes.

Kuntz relatou ter desconfiado da aproximação de um delator, chegando a cogitar que Cid estaria agindo sob orientação da PF para incriminar seu cliente. O material foi finalizado em março, mas mantido em sigilo por estratégia processual.

Ministros do STF suspeitam que Kuntz seja o interlocutor de Cid nos áudios divulgados pela *Veja* em março, nos quais o militar critica a PF e acusa Moraes de já ter definido sua condenação. A avaliação final do STF sobre a delação de Cid e suas implicações permanece, portanto, um ponto crucial no desenrolar do caso da suposta trama golpista.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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