Freire Gomes Nega Ordem de Bolsonaro para Movimentar Tropas em Tentativa de Golpe, Revela Depoimento no STF

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (19), o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, negou ter recebido qualquer orientação do então presidente Jair Bolsonaro para mobilizar tropas com o objetivo de promover um golpe de Estado em 2022 e impedir a posse de Lula. A declaração foi feita em resposta a questionamentos do advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, durante a oitiva.

“Em nenhum momento”, afirmou o general, descartando a existência de uma ordem presidencial nesse sentido. Vilardi também indagou sobre o processo de transição de poder no Exército, ocorrido após a confirmação da vitória de Lula nas eleições. Freire Gomes descreveu a passagem de comando como um evento “pacífico”, detalhando encontros e apresentações da estrutura do Exército ao novo comandante, José Mucio, sob a supervisão do então Ministro da Defesa e com o aval de Bolsonaro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) arrolou Freire Gomes como testemunha, juntamente com outros nomes como Éder Lindsay Magalhães Balbino, engenheiro supostamente envolvido na elaboração de um dossiê falso sobre as urnas, Clebson Ferreira de Paula Vieira, que teria realizado um levantamento de votação em municípios específicos, e Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador da PRF, acusado de dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno.

Ainda durante o depoimento, o ministro Alexandre de Moraes elevou o tom com o general, apontando possíveis contradições em suas declarações. “Antes de responder, pense bem”, alertou Moraes, enfatizando a importância da veracidade das informações prestadas ao STF, confrontando as declarações de Freire Gomes com depoimentos anteriores à Polícia Federal sobre uma reunião em que Bolsonaro teria tratado de um plano golpista, com o apoio do então comandante da Marinha, almirante Garnier Santos.

Moraes questionou a aparente mudança na versão de Freire Gomes, que anteriormente havia relatado à PF a concordância de Garnier com a suposta trama de ruptura institucional, mas que, no depoimento ao STF, negou ter visto qualquer “conluio” por parte do almirante. A divergência levantou dúvidas sobre a consistência do testemunho do general, gerando um momento de tensão na audiência.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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