Indiciados por homicídio culposo em caso de morte de criança no Paraná

A Polícia Civil do Paraná indiciou um médico, uma enfermeira e duas técnicas de enfermagem pela morte de Ravi Augusto Fernando Teodoro, uma criança de quatro anos, ocorrida no Hospital Dr. Lincoln Graça, localizado em Joaquim Távora, no Norte do Paraná. O inquérito foi concluído na última segunda-feira, aproximadamente dois meses e meio após o falecimento da criança, que aconteceu no dia 10 de junho. Ravi foi levado ao hospital na noite anterior e, apesar de ter sido mantido sob observação, seu estado de saúde piorou, resultando em sua morte, que foi atribuída à pneumonia associada à influenza.

Os profissionais de saúde foram indiciados por homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção de matar. A investigação da Polícia Civil revelou indícios de que as normas técnicas não foram seguidas durante o atendimento a Ravi. As falhas identificadas incluíram a avaliação inadequada do estado clínico da criança, a falta de monitoramento adequado da evolução de seu quadro e problemas na comunicação entre os membros da equipe médica.

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil após uma denúncia feita pelo Conselho Tutelar, que foi procurado pela família de Ravi. Os familiares questionaram a qualidade do atendimento recebido pelo menino no hospital. Durante a investigação, foram ouvidos familiares, testemunhas e os profissionais que prestaram atendimento, além da análise de prontuários, registros hospitalares e documentos. Uma perícia médico-legal também foi realizada para esclarecer as circunstâncias da morte.

O delegado responsável pelo caso, Jean Paulo da Silva Brunhari, destacou que a investigação possibilitou a reconstrução do atendimento e a avaliação da conduta de cada um dos profissionais envolvidos. A Polícia Civil observou que, diante da deterioração do quadro clínico de Ravi, as medidas necessárias não foram adotadas em tempo hábil. Além disso, foram constatados problemas na comunicação sobre a piora do estado de saúde da criança entre os responsáveis pelo atendimento.

O laudo da Polícia Científica do Paraná corroborou as conclusões da investigação, que apontou a possibilidade de responsabilidade ética dos profissionais envolvidos. Os órgãos competentes poderão instaurar procedimentos administrativos para apurar essa responsabilidade. O caso levanta questões importantes sobre a qualidade do atendimento médico e a necessidade de melhorias nos protocolos de monitoramento em unidades de saúde.

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