O presidente francês, Emmanuel Macron, intensificou a pressão por mudanças no acordo Mercosul-União Europeia (UE), defendendo a inclusão de “cláusulas-espelho” e salvaguardas rigorosas, especialmente para produtos agrícolas. As cláusulas-espelho exigem que produtos importados sigam os mesmos padrões de produção impostos aos produtores da UE. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Paris, ao lado do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Macron argumentou que a disparidade nas regulamentações, como o uso de agrotóxicos, cria uma competição desleal e pode prejudicar a agricultura europeia. “Como vou explicar aos agricultores [franceses] que, no momento em que eu exijo que eles respeitem as normas, abro o mercado para produtos que não respeitam essas mesmas normas?”, questionou o presidente francês. Ele enfatizou que o objetivo não é prejudicar a competitividade, mas garantir regulamentações equivalentes.
Em um tom conciliador, Lula pediu a Macron que “abra o seu coração” para a conclusão do acordo. O presidente brasileiro expressou otimismo quanto à viabilidade de um entendimento, especialmente com o Brasil prestes a assumir a presidência do Mercosul. Lula reafirmou seu compromisso de só deixar a liderança do bloco após a finalização do acordo com a UE.
Lula também defendeu as práticas ambientais do Brasil, ressaltando os esforços para proteger os biomas brasileiros. “Não permita que nenhum país europeu coloque dúvida sobre a defesa que o Brasil faz para diminuir o desmatamento”, declarou. Ele sugeriu um diálogo direto entre agricultores e cooperativas de ambos os lados para dissipar dúvidas e encontrar soluções mutuamente benéficas.
A visita de Lula à França, a primeira de um chefe de Estado brasileiro em 13 anos, marcou a assinatura de 20 acordos bilaterais em áreas como saúde, segurança, educação e ciência e tecnologia. Os dois líderes demonstraram interesse em fortalecer as relações comerciais, reconhecendo que o volume de negócios em 2024 ainda não superou os níveis de 2012. Espera-se que o Fórum Econômico Brasil-França impulsione o comércio bilateral, atualmente em US$ 9,1 bilhões, com a França sendo o terceiro maior investidor no Brasil, com US$ 66,3 bilhões em estoque.











