Um manifesto assinado por uma pequena fração dos funcionários da Fiocruz, o “Coletivo Vozes da Fiocruz Pela Palestina”, ganhou destaque ao clamar pela suspensão da cooperação científica e tecnológica do Brasil com Israel. Este documento, que pede o rompimento de laços em áreas cruciais como ciência e tecnologia, apresenta uma série de acusações que merecem uma análise cuidadosa e um contraponto factual.
Marcos L. Susskind, neste artigo, confronta as alegações apresentadas no manifesto, desconstruindo os argumentos e apresentando dados que desafiam as narrativas ali estabelecidas. O autor aborda temas como a acusação de genocídio, o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), a interrupção da cooperação com instituições israelenses e a comparação de Israel com o regime nazista.
Quanto à acusação de genocídio, Susskind argumenta que o termo é utilizado de forma indiscriminada e desprovida de significado. Ele ressalta que, apesar dos números inflacionados divulgados pelo Hamas, a porcentagem de não-combatentes mortos em relação à população palestina é significativamente menor do que em genocídios históricos, como o Holocausto. “Se Israel quisesse fazer genocídio, com três ou quatro incursões aéreas eliminaria 1 milhão de palestinos concentrados no sul”, afirma o autor, questionando a veracidade da acusação.
O artigo também critica o apoio ao movimento BDS, destacando os efeitos negativos para os próprios palestinos. Susskind cita o caso da fábrica da Soda Stream, que foi forçada a se mudar da Cisjordânia para Israel devido à pressão do BDS, resultando na perda de empregos para centenas de palestinos. “O BDS atua contra o interesse dos pobres palestinos”, conclui.
Finalmente, o autor rebate a alegação de que Israel seria um estado “neonazista”, contrastando a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos com a igualdade de direitos garantida a todos os cidadãos israelenses, independentemente de sua religião ou origem étnica. Susskind questiona a omissão de países com históricos problemáticos em direitos humanos, como Venezuela, Coreia do Norte e Irã, no manifesto, levantando dúvidas sobre a seletividade das críticas.
Fonte: http://revistaoeste.com











