Nem toda dor aparece

Ansiedade, isolamento e cansaço persistente podem passar despercebidos; acolhimento e avaliação profissional ajudam a reconhecer quando é necessário buscar cuidado

A pessoa continua trabalhando, responde às mensagens, cuida da família e tenta cumprir todos os compromissos. Por fora, parece estar bem. Por dentro, pode enfrentar ansiedade, perda de interesse, irritabilidade, cansaço persistente ou uma sensação de vazio que ninguém percebe. A manutenção da rotina nem sempre significa ausência de sofrimento. Quando essas mudanças persistem e começam a comprometer o sono, os relacionamentos, o trabalho ou os cuidados pessoais, merecem atenção.

Para o neurocientista e hipnoterapeuta Renê Skaraboto, do Instituto e Clínica Hipnose para Todos, ouvir sem julgar é uma das primeiras formas de acolhimento. “Muitas pessoas não demonstram o sofrimento da maneira que imaginamos. Elas continuam produzindo, sorrindo e cumprindo obrigações, enquanto fazem um esforço enorme apenas para atravessar o dia. Quando alguém finalmente consegue falar, a resposta não deve ser comparação, julgamento ou uma frase pronta. O primeiro cuidado é escutar”, afirma.

Nem toda tristeza, preocupação ou reação ao estresse representa um transtorno mental. Emoções desagradáveis também fazem parte da vida. O sinal de atenção surge quando as alterações se prolongam, provocam sofrimento significativo ou prejudicam o cotidiano. Entre as mudanças que merecem observação estão isolamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações de sono ou apetite, dificuldade de concentração, irritabilidade frequente, uso crescente de álcool ou outras substâncias e desesperança.

“Existe uma tendência de normalizar o esgotamento. A pessoa diz que é apenas uma fase, que todo mundo vive cansado ou que precisa ser mais forte. Só que o corpo e o comportamento começam a dar sinais. Dormir mal com frequência, perder o prazer e viver em alerta não deveriam ser tratados como fraqueza”, explica Skaraboto. Segundo ele, reconhecer essas mudanças e procurar avaliação ajuda a compreender o que está acontecendo, sem depender de rótulos ou diagnósticos feitos por conta própria.

Os conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais podem ajudar a identificar a necessidade de apoio, mas listas genéricas de sintomas não substituem avaliação profissional. “Duas pessoas podem apresentar sinais semelhantes e ter necessidades completamente diferentes. O cuidado precisa considerar história de vida, contexto, intensidade, duração e impacto na rotina”, observa. Para familiares e amigos, a orientação é demonstrar disponibilidade, evitar interrogatórios e incentivar a procura por atendimento. Expressões como “pense positivo” ou “tem gente em situação pior” podem aumentar a culpa e dificultar a conversa.

A escolha das abordagens de cuidado também exige responsabilidade. Skaraboto ressalta que a hipnoterapia não deve ser apresentada como solução universal nem como substituta do acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico quando necessário. “Saúde mental não combina com promessas de resultado imediato. É preciso reconhecer os limites de cada abordagem e, quando indicado, encaminhar a pessoa ou construir um acompanhamento conjunto”, afirma. Tratamentos em andamento, especialmente medicamentos, não devem ser interrompidos ou modificados sem orientação do profissional responsável.

Para o profissional, acolher também significa incluir a pessoa nas decisões sobre o próprio cuidado e reconhecer o que ela relata sobre sua experiência. “Escutar não significa romantizar a dor. Significa reconhecer que existe uma pessoa por trás dos sintomas e que ela precisa de espaço para falar, participar e ser respeitada”, diz. Uma pergunta simples, “como você realmente está?”, acompanhada de disposição para ouvir, pode abrir caminho para a busca de ajuda. Quando houver risco à própria vida ou à de outras pessoas, é necessário procurar atendimento de urgência.

Serviço: Instituto e Clínica Hipnose para Todos
Renê Skaraboto
Neurocientista e hipnoterapeuta
Telefone: (41) 99692-9774
Instagram: @hipnose_para_todos
Site: www.clinicahipnoseparatodos.com.br
Endereço: Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Edifício Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *