Em um mosaico de crenças e práticas que compõem o judaísmo, o Neturei Karta se destaca como um grupo singular, tanto por sua devoção religiosa fervorosa quanto por suas posições políticas controversas. Esta pequena seita ultraortodoxa, cujo nome aramaico significa “Guardiões da Cidade”, é conhecida por sua oposição radical ao Estado de Israel e por uma teologia que desafia as normas do judaísmo moderno.
Fundado em Jerusalém na década de 1930, o Neturei Karta surgiu como uma dissidência dentro do movimento haredi, o judaísmo ultraortodoxo. Liderados por rabinos que rejeitavam o sionismo secular, eles também se opunham a qualquer forma de nacionalismo judaico que buscasse estabelecer um estado antes da vinda do Messias. Essa rejeição fundamental moldou sua visão de mundo e sua relação com Israel.
Para os membros do Neturei Karta, a criação de um Estado judaico antes da redenção messiânica é vista como uma transgressão direta da Torá e dos ensinamentos rabínicos tradicionais. Eles acreditam que o sionismo, ao buscar um estado secular, desvirtuou os valores espirituais do povo judeu, substituindo-os por objetivos nacionalistas e materialistas. Essa crença é central para sua identidade e ações.
A oposição ao Estado de Israel é, talvez, a característica mais marcante do Neturei Karta. O grupo argumenta que o sionismo representa uma ameaça à verdadeira essência do judaísmo, desviando o foco da espiritualidade para a política. Essa postura, no entanto, gera controvérsia e isolamento, especialmente em um contexto onde o apoio a Israel é comum entre muitos judeus.
Uma das posições mais polêmicas do Neturei Karta é sua interpretação do Holocausto. Alguns líderes do grupo chegaram a sugerir que o sofrimento dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial foi uma consequência da “apostasia” e da adoção de ideologias como o sionismo. Essa visão, amplamente rejeitada pela maioria dos judeus, é considerada insensível e cruel por muitos.
Embora represente uma pequena fração do judaísmo global, o Neturei Karta exerce um impacto simbólico significativo. Suas posições extremas levantam questões importantes sobre a relação entre religião, nacionalismo, moralidade e a interpretação da história judaica. O grupo continua a desafiar as convenções contemporâneas, mantendo-se fiel a suas crenças, mesmo diante de críticas e oposição.
Fonte: http://pleno.news











