Governadores e senadores eleitos de PR, SC e RS se reúnem na capital paranaense em apoio a Flávio Bolsonaro. Para Fabio Aguayo, é a estratégia que se confirmou.
Curitiba, 17 de outubro de 2026 — Sábado, de céu nublado e araucárias ao fundo, Curitiba produziu a imagem política do dia no Sul do Brasil. Lado a lado, sorrindo e fazendo o “V” da vitória, estavam o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL); o governador reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL); o senador eleito por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL); e o senador eleito pelo Paraná, Filipe Barros (PL). Nas camisetas, o recado sem rodeios: “Região Sul está com Flávio Bolsonaro 22”.
A foto, obtida com exclusividade pelo Ponto Curitiba, resume em um único quadro o que o Sul decidiu mostrar ao Brasil a oito dias do segundo turno: três estados, três governadores eleitos pelo mesmo partido e uma bancada de senadores alinhada, todos reunidos na capital paranaense.
O dia em que o Sul falou com uma só voz
A mobilização começou cedo. Pela manhã, Florianópolis recebeu uma motociata com Jorginho Mello, seguida de entrevista coletiva com governadores e lideranças. À tarde, a caravana chegou a Curitiba.
A concentração começou por volta das 14h30, nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida. De lá, a carreata e a motociata seguiram até a sede da Justiça Federal, no Ahú, onde Moro atuou como juiz da Operação Lava Jato, e o roteiro terminou com ato na Boca Maldita, o tradicional ponto de manifestações do centro da cidade. O trajeto não foi escolhido por acaso: ligou os endereços que marcaram o combate à corrupção no país ao coração cívico de Curitiba.
Além dos cinco da foto, participaram os senadores eleitos pelo Rio Grande do Sul Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo), o vice-governador eleito do Paraná, Edson Vasconcelos, além de deputados federais e estaduais dos três estados.

O que disseram
Moro chamou o ato de simbólico e foi direto ao ponto: o Sul se uniu porque entende que Flávio Bolsonaro é o melhor candidato para o Brasil e para a região. O governador eleito defendeu o legado da Lava Jato, criticou o que considera um enfraquecimento do combate à corrupção, citou o caso Banco Master e as fraudes nos descontos do INSS, e pediu voto 22 no dia 25 de outubro.
Jorginho Mello definiu o encontro como um ato cívico de unidade entre os três estados e disse confiar na vitória no segundo turno. Zucco destacou o tamanho da aliança — três governadores e nove senadores eleitos do mesmo campo — e afirmou que o objetivo agora é ampliar a votação de Flávio em toda a região. Carlos Bolsonaro elogiou a união do grupo e agradeceu a Moro pela mobilização.
Uma vitória construída nas urnas
O palanque de sábado não nasceu do nada. Ele é o retrato do resultado de 4 de outubro, quando a direita varreu os três estados do Sul ainda no primeiro turno:
- Paraná: Sergio Moro eleito governador no primeiro turno; Filipe Barros eleito senador, o mais votado da disputa, com 27,37% dos votos válidos.
- Santa Catarina: Jorginho Mello reeleito com folga no primeiro turno; Carlos Bolsonaro e Carol De Toni (ambos do PL) eleitos senadores.
- Rio Grande do Sul: Luciano Zucco eleito no primeiro turno com 58,05% dos votos válidos — 3.516.048 votos, a maior votação de primeiro turno da história do estado; Sanderson e Marcel van Hattem eleitos para o Senado.
Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. É essa vantagem que o Sul quer ampliar no dia 25.
Um fim de semana de direita nas ruas
O ato de Curitiba faz parte de uma onda maior. A campanha e seus aliados organizaram uma agenda de mobilizações em 13 cidades, 11 delas capitais, entre os dias 15 e 24 de outubro. O ponto alto acontece neste domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo, com o “Bloco da Vitória”, que reúne o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes. O encerramento está marcado para o Rio de Janeiro, na véspera da votação.
Nesse mapa, o Sul chega como a região que já fez o dever de casa: elegeu seus governadores, elegeu seus senadores e agora se apresenta unida, com uma foto só, para puxar o país.
Fabio Aguayo: a estratégia que se confirmou
Se há alguém que pode dizer “eu avisei”, é Fabio Aguayo. Presidente da Abrabar, amigo de longa data de Sergio Moro e estrategista da campanha ao Governo do Paraná, Aguayo defendeu, muito antes de as urnas falarem, que a força da direita brasileira passaria por uma aliança sólida entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — e que essa aliança teria em Curitiba o seu ponto de encontro.
O sábado provou que ele estava certo. A união dos três estados, que parecia apenas uma aposta, virou imagem: três governadores do mesmo partido, senadores eleitos ao lado, todos na capital paranaense, falando a mesma língua. Estratégia e eficácia. É o tipo de leitura política que separa quem acompanha os acontecimentos de quem consegue antecipá-los.
Aguayo, que esteve ao lado de Moro desde os primeiros movimentos para levá-lo à vida pública, sai deste ciclo eleitoral como um dos vencedores. Não só pela eleição do amigo ao Palácio Iguaçu, mas por ter enxergado lá atrás o desenho que hoje o Brasil inteiro viu estampado numa foto. O Ponto Curitiba registra: parabéns, Fabio Aguayo.
Curitiba, exemplo para o país
A imagem de sábado tem algo de simbólico. Diante das araucárias, a árvore que é símbolo do Paraná, os líderes do Sul mostraram que divergências ficaram para trás e que a região pretende agir como um bloco — no Congresso, nos governos estaduais e na disputa nacional.
O segundo turno acontece no próximo domingo, 25 de outubro. Se depender do recado dado em Curitiba, o Sul vai às urnas unido.
Fontes consultadas: Diário do Sudoeste, Jornal de Brasília, TRE-RS, Congresso em Foco, Gazeta do Povo, Correio Braziliense e Poder360.










