A eleição do Papa Leão XIV nesta quinta-feira, 8, marca um momento significativo para a Igreja Católica, especialmente para a América Latina. Apesar de ser o primeiro Papa nascido nos Estados Unidos, sua história está profundamente entrelaçada com a região, onde atuou como missionário e bispo no Peru por mais de uma década. Cardeais brasileiros que participaram do conclave destacam essa experiência como um fator crucial que o aproxima da realidade latino-americana e o torna um símbolo do protagonismo da Igreja na região.
“Temos um Papa que era um bispo latino-americano”, ressaltou Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Salvador, durante uma coletiva de imprensa em Roma. “Sem dúvida que sua origem norte-americana tem sido ressaltada, mas não podemos esquecer que sua atuação episcopal, como bispo, foi no Peru, na América Latina. É alguém que traz no coração a própria América Latina”. A coletiva, que também contou com a presença de outros cardeais brasileiros, abordou a relação do novo pontífice com a América Latina e suas possíveis posições sobre temas como as políticas migratórias.
Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo, reforçou o vínculo de Leão XIV com a região. “Ele nasceu nos EUA, mas nunca foi bispo nos EUA”, afirmou, complementando que “Ele é mais peruano que norte-americano, e é cidadão do mundo”. Ao ser questionado sobre as políticas do ex-presidente Donald Trump, Scherer lembrou que a maioria dos bispos dos EUA se manifestou contrária às medidas.
Dom Leonardo Ulrich Steiner, Arcebispo de Manaus, enfatizou o perfil dialogal do novo Papa, expressando confiança de que Leão XIV “não irá tolher o diálogo”. Segundo Steiner, “O Papa é um homem de muito diálogo, de muita escuta”. Os cardeais presentes na coletiva de imprensa demonstraram otimismo quanto à liderança de Leão XIV.
Os cardeais brasileiros também compartilharam suas impressões sobre o novo Papa como um líder com uma visão abrangente da Igreja. “Leão XIV é missionário em um momento que a Igreja quer ser cada vez mais missionária”, pontuou Dom Sergio, revelando que o Papa, antes de sua eleição, manifestou o desejo de presidir uma missa no Santuário do Senhor do Bonfim, em Salvador, ainda este ano. Ao ser indagado sobre possíveis semelhanças com o Papa Francisco, Dom Leonardo Steiner assegurou que Leão XIV “não será repetição de outro pontífice”, mas um líder com identidade própria.
Dom Paulo Cezar Costa, Arcebispo de Brasília, destacou a importância do papel político do Papa no diálogo com a sociedade. “O Papa também tem um papel político, de diálogo com a sociedade”, afirmou. Ele acrescentou que, através de sua palavra, o Papa poderá “ajudar o mundo para que a doutrina social da Igreja possa iluminar as grandes questões da humanidade”. Leão XIV, cujo nome de batismo é Robert Prevost, é visto como um “pastor de duas pátrias” devido à sua trajetória entre os Estados Unidos e o Peru, onde atuou como missionário e bispo.
Durante a entrevista, Dom Sergio recordou sua convivência com Leão XIV no Dicastério dos Bispos, descrevendo-o como um homem simples, fraterno, acolhedor e atento. “Ele era um pastor sensível às necessidades do nosso povo, muito unido ao Papa Francisco e, penso eu, em sintonia com a caminhada da Igreja na América Latina”, observou. Os cardeais também ressaltaram que, em seu discurso de apresentação, o Papa Leão XIV enfatizou a importância da paz e da construção de pontes, indicando uma continuidade do trabalho de seu antecessor em prol da resolução de conflitos.
Fonte: http://revistaoeste.com











