A Polícia Federal (PF) concluiu a investigação sobre o suposto uso político da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro. As apurações apontam para o monitoramento ilegal de opositores, com indícios de envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro, do vereador Carlos Bolsonaro e do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
Inicialmente, informações de um integrante do alto escalão da PF davam conta de que Bolsonaro estaria entre os indiciados, juntamente com mais de 30 pessoas, incluindo Carlos Bolsonaro e Ramagem. No entanto, uma apuração do jornal O Estado de S. Paulo revelou que Bolsonaro não foi formalmente indiciado no inquérito da chamada “Abin paralela”.
A PF esclareceu que o indiciamento é uma atribuição exclusiva do presidente do inquérito. Fontes da corporação apontaram que houve um equívoco ao considerar a lista de “responsáveis criminais” como a lista de indiciados. Ademais, a lei impede que uma pessoa responda duas vezes pelo mesmo crime. Bolsonaro já teria sido indiciado por organização criminosa em outra investigação.
O caso agora segue para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se denuncia Bolsonaro e os demais envolvidos, independentemente da lista de indiciados da PF. A decisão da PGR será crucial para o futuro da investigação e para a responsabilização dos envolvidos no suposto esquema de espionagem ilegal.
Carlos Bolsonaro comentou o caso nas redes sociais, insinuando motivação política no indiciamento de outros investigados. “Alguém tinha alguma dúvida que a PF do Lula faria isso comigo? Justificativa? Creio que os senhores já sabem: eleições em 2026? Acho que não! É só coincidência!”, escreveu o vereador.
A investigação também alcançou nomes da atual gestão da Abin, incluindo o atual diretor-geral, delegado Luiz Fernando Corrêa, indicado por Lula, e o ex-número dois da instituição, Alessandro Moretti. Segundo o inquérito, a Abin foi instrumentalizada por um esquema de espionagem ilegal para atender a interesses políticos e pessoais do ex-presidente e de seus aliados.
A investigação ganhou força com a Operação Última Milha, em outubro de 2023, e a Operação Vigilância Aproximada, em janeiro de 2024. A PF apura o uso do software de espionagem “FirstMile”, que teria sido utilizado cerca de 60 mil vezes pela Abin entre 2019 e 2023.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











