Telebras Amplia Cargos Políticos em Meio a Prejuízo Milionário e Contestações

A Telebras, estatal que sobreviveu ao processo de privatização das telecomunicações iniciado em 1998, volta a ser foco de discussões. Sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, a empresa planeja um aumento expressivo no número de cargos comissionados, passando de 56 para 88, gerando polêmica e questionamentos sobre a sua real necessidade.

Os planos de expansão ocorrem em um momento delicado para a empresa, que registrou um prejuízo de R$ 256 milhões no balanço de 2024. Vinculada ao Ministério das Comunicações, a Telebras tem agora como presidente André Leandro Magalhães, especialista em TIC, cuja indicação teve forte influência do União Brasil, partido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A nomeação de Magalhães sucedeu a de Frederico de Siqueira Filho para o Ministério das Comunicações.

A ampliação dos cargos comissionados tem um impacto financeiro estimado em R$ 12,3 milhões anuais. A mudança elevaria para 19% o percentual de cargos comissionados na estatal, um número significativamente maior que a média de 5% observada em outras estatais federais. O Ministério Público do Trabalho já questiona a medida, com uma ação civil pública tramitando no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A direção da Telebras justifica a necessidade de reforçar sua equipe técnica para atender demandas de diversos órgãos, como INSS, Datasus e Ministério do Trabalho, entre outros. A empresa alega que, mesmo após convocar aprovados em concursos anteriores, setores estratégicos ainda carecem de profissionais. A diretoria pretende transformar todas as funções de confiança, antes restritas a servidores de carreira, em cargos comissionados, com apenas 40% das vagas ocupadas por efetivos.

A proposta enfrenta resistência interna no governo. A Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) classificou a medida como “temerária”, apontando para o salto no percentual de cargos comissionados. A Telebras se defende, afirmando estar em um processo de recuperação desde 2023, com redução de prejuízo e crescimento no caixa, em comparação com a gestão anterior. A estatal foi reativada em 2010, durante o segundo mandato de Lula, com o objetivo de expandir a banda larga no país, mas chegou a ser incluída na lista de privatizações durante o governo Bolsonaro.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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