Tribunal ou Circo de Horrores? Julgamentos no Brasil Relembram Stalinismo

A frase “Não vou permitir circo no meu tribunal”, proferida por um magistrado, ironicamente transformou o espaço judicial em palco. Ao invés de justiça, o que se vê é uma encenação, um teatro onde o direito cede lugar a um espetáculo cuidadosamente coreografado. A acusação é que o tribunal se converteu em um circo, mas não um circo qualquer: um circo de horrores, evocando os tempos sombrios dos julgamentos stalinistas.

Os chamados “julgamentos-espetáculo”, termo cunhado durante a cobertura dos processos em Moscou, visavam mais do que apenas punir. Eram ferramentas de propaganda, concebidas para incutir medo e silenciar a oposição. A expressão russa *pokazatel’nyi protsess* carrega essa dupla conotação: um espaço tanto didático, para transmitir uma lição, quanto teatral, para entreter e manipular.

O objetivo central desses julgamentos é personificar um inimigo político, transformando divergências ideológicas em crimes compreensíveis para a massa. Cria-se, assim, um bode expiatório, afastando o apoio de qualquer oposição potencial. As “provas”, frequentemente, são fabricadas através de confissões forçadas, distorcendo a realidade para se adequar à narrativa desejada.

David M. Crowe, historiador americano, descreve esses eventos como “procedimentos extralegais que guardavam apenas uma semelhança superficial com os julgamentos tradicionais de estilo ocidental”. Envoltos em uma fachada de legalidade, os julgamentos-espetáculo eram, na verdade, “exercícios de propaganda cuidadosamente elaborados, concebidos em parte para mobilizar a nação em apoio aos objetivos de Stalin”.

No Brasil, a análise recai sobre o processo referente aos eventos de 8 de janeiro de 2023, apontado como um exercício de propaganda orquestrado para atingir objetivos políticos específicos. A alegação é que, sob o pretexto de defender a democracia contra o espectro de um “golpe militar”, tudo se torna permitido, perpetuando um ciclo de teatralização e manipulação. Como na obra *O Zero e o Infinito*, de Arthur Koestler, a defesa da democracia se torna uma ferramenta para fins questionáveis.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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