USP Entra em Paralisação: Estudantes Demandam Cotas Trans e Reformas na Universidade

A Universidade de São Paulo (USP) enfrenta uma paralisação estudantil nesta quinta-feira, 8, impulsionada por reivindicações de cotas para pessoas trans, melhorias na permanência estudantil e uma reestruturação abrangente da instituição. A decisão de paralisar as atividades foi liderada pelo Diretório Central dos Estudantes Alexandre Vannucchi Leme (DCE Livre) e reflete um movimento crescente por inclusão e mudanças estruturais dentro da universidade.

O estopim para a paralisação foi um plebiscito organizado pelo Centro Acadêmico Lupe Cotrim (Calc) da Escola de Comunicações e Artes (ECA). Os resultados, divulgados na última terça-feira, revelaram um forte apoio à mobilização, com 514 votos a favor da greve, contra 82 votos contrários e 76 abstenções. A expressiva maioria demonstra a urgência das pautas defendidas pelos estudantes.

“Foram 514 votos favoráveis a um dia de luta na ECA por cotas trans, por permanência e por estrutura!”, destacou o Calc em suas redes sociais. A paralisação faz parte de um “calendário unificado aprovado pelo DCE e com as atividades locais da ECA”, evidenciando um esforço coordenado entre diferentes setores da comunidade acadêmica. A programação inclui desde bloqueios de acesso até debates e atividades artísticas.

A agenda da paralisação é diversificada, com atividades planejadas para todos os turnos. A manhã começou com um “trancaço” no Portão 1 da Cidade Universitária, seguido por grupos de discussão e uma reunião unificada da ECA. À tarde, os estudantes participam de uma oficina de cartazes com o coletivo Xica Manicongo e realizam um ato em frente à reitoria com o lema “Cotas Trans Já”, buscando pressionar a administração da USP a atender suas demandas.

Outras entidades estudantis também aderiram à paralisação, como o Centro Acadêmico XXI de Junho, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito), e o Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Computação (CAMat). Unidades do DCE Livre em outros campi, como Ribeirão Preto, e o Centro Acadêmico Antônio Junqueira de Azevedo (Caaja) da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto também manifestaram apoio, ampliando o alcance do movimento.

O Centro Acadêmico Lupe Cotrim (Calc) enfatizou que a paralisação não deve ser vista como um dia de folga, mas sim como “um momento pensado e reservado para lutar em prol de pautas essenciais para a melhoria da Universidade”. O comunicado do Calc pede o cumprimento do acordo coletivo por parte dos estudantes e a suspensão das aulas ministradas no dia.

O Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, um dos mais tradicionais do país, também se posicionou em defesa das cotas trans. Sob o título “A Sanfran vai transicionar: por cotas trans já!”, o XI reafirmou seu compromisso histórico com pautas de inclusão e convocou os estudantes do Largo São Francisco para participar ativamente do ato programado em frente à Reitoria da USP.

Fonte: http://www.revistaoeste.com

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