Agricultores franceses foram às ruas de Paris nesta segunda-feira, em protesto contra a obstrução de um projeto de lei que busca flexibilizar as normas para a atividade agrícola no país. A manifestação, organizada pela FNSEA, a maior federação agrícola da França, e pelo sindicato dos Jovens Agricultores, ocorreu em frente à Assembleia Nacional. Os manifestantes alegam que deputados de esquerda e ecologistas estariam dificultando a aprovação da proposta.
As entidades criticam a apresentação de mais de 3,5 mil emendas ao texto, sendo grande parte delas provenientes do partido França Insubmissa (LFI) e da bancada ecologista social. A medida tem causado polêmica e não é unânime entre os agricultores, segundo o jornal francês Le Monde.
A Confederação Camponesa, terceiro maior sindicato agrícola da França, já se manifestou contrária à proposta, classificando-a como “completamente retrógrada” e benéfica para uma pequena parcela do agronegócio. “Essa lei é como dar um tiro no próprio pé. Ela vai acelerar a concentração das fazendas”, declarou Fanny Métrat, porta-voz do sindicato.
O projeto de lei, apelidado de “PPL Duplomb”, é apresentado como um complemento técnico à Lei de Orientação Agrícola, aprovada em fevereiro. No entanto, o texto inclui medidas polêmicas, como o afrouxamento ou a eliminação de proteções ambientais, e a reautorização de inseticidas neonicotinoides, proibidos na França desde 2018 devido aos seus impactos negativos sobre os polinizadores.
A proposta de reintrodução dos inseticidas é particularmente controversa. A liberação seria concedida por decreto, com validade de três anos, para setores agrícolas que enfrentam dificuldades no controle de pragas e que se comprometam a pesquisar alternativas. A medida, no entanto, tem gerado críticas de médicos e cientistas, que a consideram uma contestação da importância da expertise científica na autorização de produtos fitossanitários.
Fonte: http://revistaoeste.com











