Um recente levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelou um cenário preocupante na educação superior brasileira. Apesar da vasta oferta de mais de 25 milhões de vagas, a ocupação efetiva não acompanha o ritmo, com disparidades marcantes entre instituições públicas e privadas. Essa realidade, segundo o especialista Danilo Dupas, sinaliza a urgência de medidas para garantir a sustentabilidade do setor e a qualidade da formação.
A pesquisa do Inep aponta que, das vagas preenchidas, apenas 11% estão em instituições públicas, enquanto 89% se concentram nas privadas. Dentro desse contexto, as instituições privadas sem fins lucrativos apresentam o maior índice de ociosidade, contrastando com o desempenho das universidades públicas, que se destacam pela alta taxa de ocupação e excelência no ensino, refletida em avaliações como o Enade e rankings universitários globais.
Danilo Dupas, educador e executivo com experiência em diversas categorias de instituições de ensino superior, incluindo o setor público, privado com e sem fins lucrativos, defende a necessidade de uma análise aprofundada da alocação de recursos públicos. “É crucial repensar os investimentos em programas como o Fies e o ProUni, redirecionando o saldo para fortalecer as IES públicas”, argumenta Dupas, ex-secretário da SERES/MEC e ex-presidente do INEP.
Sua análise ecoa a preocupação com a fragilidade econômica do país e a necessidade de otimizar o uso dos recursos destinados à educação. A experiência de Dupas como secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) e sua atuação na gestão da Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social e Educação (Cebas) o credenciam a abordar a complexidade do tema.
As instituições filantrópicas, isentas de contribuições para a seguridade social sob certas condições, desempenham um papel social inegável, conforme relatórios do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif). No entanto, Dupas alerta para a necessidade de evitar decisões políticas que penalizem entidades competentes, defendendo um monitoramento rigoroso e auditorias por amostragem para garantir a aplicação correta dos benefícios fiscais e combater irregularidades, como a remuneração indevida de dirigentes e o nepotismo. A otimização dos recursos e a fiscalização eficaz são, portanto, cruciais para assegurar que a filantropia na educação superior cumpra seu papel social com excelência e transparência.
Fonte: http://www.revistaoeste.com











