O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial durante a cúpula do Brics no Rio de Janeiro. Segundo Lula, as instituições financeiras internacionais operam um “Plano Marshall às avessas”, onde países em desenvolvimento financiam nações desenvolvidas. A crítica centraliza-se na percepção de que, em vez de auxiliar os mais necessitados, o fluxo de recursos beneficia os países ricos.
Lula aproveitou o encontro para defender maior representatividade dos países do Sul Global no FMI, argumentando que o poder de voto dos membros do Brics deveria ser ampliado. “As distorções são inegáveis”, afirmou o presidente, propondo que a participação do bloco no FMI alcance pelo menos 25%, em contraste com os atuais 18%. O presidente ainda criticou o neoliberalismo, apontando-o como um fator de aprofundamento das desigualdades globais.
Em contrapartida, Lula elogiou o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do Brics, destacando sua governança e a inclusão de novos membros como Argélia, além do processo de adesão de Colômbia, Uzbequistão e Peru. Ele considera o NDB um exemplo de financiamento para uma transição justa e soberana. O presidente também defendeu a justiça tributária e o combate à evasão fiscal como ferramentas essenciais para o crescimento inclusivo e sustentável.
No âmbito do comércio internacional, Lula criticou a Organização Mundial do Comércio (OMC), apontando sua “paralisia e o recrudescimento do protecionismo” como elementos que criam assimetrias insustentáveis para os países em desenvolvimento. Ele mencionou o protecionismo de Donald Trump, sem citá-lo diretamente. Além disso, o presidente anunciou a adoção de uma declaração sobre governança da inteligência artificial (IA) pelo Brics, defendendo um modelo justo e equitativo.
Finalmente, Lula ressaltou o ineditismo da 17ª cúpula, que reuniu países-parceiros pela primeira vez, coroando a expansão histórica do Brics. Ele enfatizou a importância do bloco como ator na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico. O Brics é formado por 11 países-membros, representando uma parcela significativa da economia e população mundial, e busca maior cooperação e tratamento igualitário em organismos internacionais.











