Impunidade Histórica Fortaleceu ‘Utopia Autoritária’ Militar no Brasil, Alerta Historiador

A tradição golpista no Brasil persiste devido à impunidade histórica dos militares, defende o renomado historiador Carlos Fico, em entrevista à Agência Brasil. Prestes a se aposentar, Fico lança seu “último livro”, *Utopia Autoritária Brasileira: como os militares ameaçam a democracia brasileira desde o nascimento da República até hoje*, na próxima semana. A obra, voltada para o público geral, analisa as crises institucionais do país desde a Proclamação da República, argumentando que todas foram desencadeadas pelos militares.

Segundo o historiador, a atuação dos militares é marcada pela convicção de superioridade sobre os civis e pela interpretação de que possuem uma licença constitucional para intervir na política. “Todas as crises institucionais no Brasil, desde a Proclamação da República, foram causadas pelos militares”, afirma Fico, referindo-se a episódios como a deposição de Dom Pedro II e os golpes de 1937 e 1964.

A impunidade, de acordo com Fico, é um fator crucial para a perpetuação dessa lógica intervencionista. “Nenhum militar golpista foi preso”, destaca o historiador, ressaltando que anistias foram concedidas mesmo quando inquéritos foram iniciados. Ele observa que o julgamento de militares envolvidos em tentativas de golpe após as eleições de 2022 é um evento inédito na história do país.

Fico explica que a expressão “utopia autoritária” se refere à percepção equivocada dos militares de que são superiores aos civis, uma visão que ele rastreia desde o final da Guerra do Paraguai. “Desde o final do conflito, os militares começam a desenvolver uma ideia de missão especial”, afirma, mencionando o sentimento de terem sido maltratados pelo poder civil.

Embora o autoritarismo não seja exclusividade do Brasil, Fico aponta para a fragilidade institucional da democracia brasileira como um fator que contribui para a persistência do intervencionismo militar. Ele conclui com a esperança de que seu livro conscientize os leitores sobre a necessidade de alterar o artigo 142 da Constituição, que atribui aos militares a garantia dos poderes constitucionais, uma interpretação que ele considera uma “licença constitucional para intervir na política”.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br

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