Três séculos da Casa de Câmara e Cadeia em Curitiba

Curitiba se prepara para celebrar, em 2026, os 300 anos do início das atividades da Casa de Câmara e Cadeia, um edifício que desempenhou papel crucial na estrutura administrativa e judicial da antiga vila. Localizada no que hoje é o Largo da Matriz, nas proximidades das praças Tiradentes e Generoso Marques, a construção era destinada a abrigar as reuniões da Câmara, audiências da Justiça e a custódia de presos.

A autorização para a construção foi dada em 1721 pelo ouvidor-geral da Capitania de São Paulo, Raphael Pardinho. Naquele período, a vila carecia de um espaço apropriado para as funções administrativas e judiciais, que eram realizadas de forma improvisada. Pardinho enfatizou, em seus registros, a inadequação de uma vila estabelecida há tantos anos não ter um edifício específico para tais atividades. Os documentos originais que contêm essas determinações estão digitalizados e são preservados no acervo da Câmara Municipal de Curitiba, pertencendo à Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

O projeto da Casa de Câmara e Cadeia seguia um modelo comum encontrado no Brasil Colonial e em parte do Império. O andar superior era destinado a funções administrativas e judiciais, enquanto a parte inferior servia como cadeia. Essa estrutura centralizava atividades que atualmente são distribuídas entre diferentes instituições públicas.

As diretrizes de Pardinho também detalhavam os materiais e especificações da obra. Dada a falta de cal na vila, as paredes deveriam ser construídas com pedra e barro, com espessura de cinco palmos até o pavimento superior e três palmos na parte de cima. Os alicerces precisavam ter altura mínima de cinco palmos, e as áreas de prisão deveriam ter paredes reforçadas com grandes pedras atravessadas para evitar fugas.

O piso superior era projetado para ser feito com tábuas grossas, apoiadas em vigas de madeira dispostas de forma próxima entre si. O telhado contava com estrutura de asnas e proteção em todos os lados. As paredes internas e externas deveriam receber revestimento e pintura clara, seguindo as orientações da época. Este importante edifício, que além de sua função administrativa abrigava a Cadeia Curitiba, representa um marco na história da cidade e é um símbolo da organização social e política do Brasil Colonial.

Em 1808, o prédio continuou a desempenhar funções relevantes até ser substituído por novas estruturas. A Casa da Memória, o Palácio Rio Branco e a Câmara Municipal são exemplos de legados que surgiram a partir da evolução da administração pública na cidade. A celebração dos 300 anos da Casa de Câmara e Cadeia reafirma a importância de preservar a história e a memória da cidade de Curitiba.

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